• Document: CASA NICLEWICZ, VILANOVA ARTIGAS, CURITIBA, PR
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X SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL ARQUITETURA MODERNA E INTERNACIONAL: conexões brutalistas 1955-75 Curitiba. 15-18.out.2013 - PUCPR CASA NICLEWICZ, VILANOVA ARTIGAS, CURITIBA, PR Edson da Cunha Mahfuz UFRGS, Rua Gen. Salvador Pinheiro 274, Porto Alegre, RS, edson@mahfuz.arq.br RESUMO A casa Niclewicz, apesar de constar dos livros que registram a obra completa de Vilanova Artigas, é um projeto pouco conhecido e ainda menos comentado e analisado. Por trás de um volumetria hermética e elementar se escondem espaços de uma clareza e qualidade surpreendentes. Na obra doméstica de Artigas, é um caso raro em que o espaço exterior é dotado de tridimensionalidade e rivaliza com o interior como foco de interesse. Palavras chave: arquitetura moderna; brutalismo; Artigas. ABSTRACT The Niclewicz house, although it is mentioned in the main books dedicated to Vilanova Artigas oeuvre, is not well known and even less analized. Behind an elementary and somewhat forbidding volume there hide spaces of high quality and surprising lightness. It is a rare case in Artigas’ domestic oeuvre of an exterior space endowed with tridimensionality and that rivals with the interior as a focus of interest. Key words: modern architecture; brutalism; Artigas. ⏐ 2 CASA NICLEWICZ, VILANOVA ARTIGAS, CURITIBA, PR A casa Niclewicz é um verdadeiro tesouro arquitetônico escondido em Curitiba. É reconfortante poder encontrar obra tão serena e receptiva numa época em que quase tudo é aparência sem substância, e predomina uma ideia equivocada de criatividade, resultando em objetos extravagantes, visualmente impactantes mas culturalmente irrelevantes. Projetada por Vilanova Artigas em 1978 para uma sobrinha, foi adquirida em 2003 pelo arquiteto curitibano Marcos Bertoldi, que a recuperou e executou uma série de reformas a partir de 2005 as quais, longe de desfigurar o projeto original, terminaram por qualificá-lo ainda mais. A casa Niclewicz pertence ao universo brutalista paulista, que consiste em obras executadas em concreto armado deixado à vista. Como essa definição me parece demasiadamente abrangente, pode-se acrescentar a ela algumas características recorrentes na arquitetura paulista do período em questão: o papel de definidor espacial que assume a estrutura resistente, a tendência a uma certa introversão e o emprego de grandes empenas cegas. Embora a data de 1978 esteja fora do intervalo abrangido pelo encontro, a casa Niclewicz é o último elo de uma sequência de projetos residenciais iniciado em 1949, tendo o pensamento projetual subjacente ao seu projeto sido amadurecido no período que vai da casa Taques Bittencourt (1959) à casa Martirani (1969). Justifica-se a apresentação desta casa neste evento por três razões, que se espera serem evidentes ao final do texto: pelo seu escasso conhecimento, pela qualidade da sua arquitetura – que culmina uma série de casas de grande qualidade – e como exemplo positivo de intervenção no patrimônio moderno. À casa Niclewicz aplica-se o axioma segundo o qual um bom projeto pode e deve ser descrito com poucas palavras. Assim, podemos descrevê-la de dois modos, igualmente breves: ou a vemos como uma planta em L que abraça um pátio, ou como uma planta retangular em que uma 3/8 da sua projeção são dedicados ao pátio (Fig. 1). ⏐ 3 Fig. 1: Esquema planimétrico. Em qualquer dos casos a planta é composta por oito módulos que medem 8x6m entre eixos, sendo a medida final da casa 25x17,5m. Posicionada de modo mais ou menos central no terreno, sobram recuos de 4,4m ao fundo, 2,05m nas laterais e 4,7m na frente. Sobre essa trama inicial são dispostos 15 pilares de 50x25cm os quais, com as vigas que os unem e as duas empenas nos lados menores do retângulo da planta – planos retangulares em concreto aparente –, definem não apenas a estrutura resistente mas a própria estrutura formal/espacial da casa. Esse papel primordial da estrutura resistente é um aspecto distintivo da arquitetura da chamada Escola Paulista, cujos expoentes máximos foram Artigas e Paulo Mendes da Rocha, e de parte da produção da Escola Carioca, especialmente da obra de Affonso Reidy Se nas duas descrições iniciais comparece a figura do pátio é porque esse espaço exterior é o foco visual desta casa: um grande salão exterior definido tridimensionalmente pelo volume em L que abriga o espaço interior, pela empena traseira, por três pilares isentos e por vigas que formam um espécie de pérgola gigante. De todas as partes da casa estamos conscientes da sua presença: da sala, da rampa, da circulação dos dormitórios e da sala íntima. Essa organização planim

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