• Document: O PROBLEMA DO ALUNO IMIGRANTE: ESCOLA, CULTURA, INCLUSÃO
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O PROBLEMA DO ALUNO IMIGRANTE: ESCOLA, CULTURA, INCLUSÃO Marinaldo de Almeida Cunha1 - PUCSP Grupo de Trabalho - Diversidade e Inclusão Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo O presente trabalho é parte inicial de uma pesquisa que tem como objetivo discutir as implicações do processo de escolarização das crianças imigrantes ou filhas de imigrantes no Brasil nos dias de hoje. A reflexão se dá considerando os movimentos migratórios recentes, sobretudo a imigração já consolidada de bolivianos na cidade de São Paulo e o que se espera no caso dos haitianos que ainda vivem um grande fluxo migratório de entrada, que hoje se concentra nas regiões sul e sudeste do Brasil. Para isso foi feito um resgate histórico das grandes imigrações europeias no século XIX e início do século XX, mais precisamente a relação dos filhos desses imigrantes e a escola da época, as quais por falta de políticas brasileiras de acolhimento e integração desses povos eram, em alguns casos, a exemplo de alemães e italianos, agregadas a colônias, as quais funcionavam com o objetivo de fornecer ajuda mútua, assim como objetivavam a manutenção da cultura e da língua materna e a passagem desses valores para as gerações futuras. No decorrer da pesquisa teórica, já percebemos que os imigrantes recentes que têm seus filhos na escola brasileira, como o caso dos bolivianos em São Paulo, convivem com diversas dificuldades no dia a dia escolar, principalmente na relação com os colegas brasileiros e na possível negação da cultura de seus pais e avós em casa. O fator causador desse choque de cultura e de gerações dentro das famílias de imigrantes possivelmente pode ser a falta de uma política de inclusão que olhe para o aluno imigrante na sala de aula, e também na comunidade que sua família escolheu para estabelecer um novo território. Palavras-chave: Imigração recente e educação. Cultura. Inclusão. Introdução Como pesquisador na área de Sociologia da Educação, especificamente investigando sobre trajetória escolar e acadêmica dos indivíduos, tive o interesse de estudar um tema que está muito difundido no Brasil e no mundo na atualidade: os movimentos migratórios, 1 Mestre em Educação: História, Política, Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP. Membro do Grupo de estudo e pesquisa Movimentos Migratórios e Educação da PUCSP. Email: marinaldo.a.cunha@gmail.com. ISSN 2176-1396 21171 sobretudo as implicações culturais que os indivíduos enfrentam desde a saída da sua terra, até depois de estabelecidos em novo local, e a inclusão das crianças imigrantes na escola. Primeiramente é preciso pensar um pouco sobre a migração. Desde que conta sua história, o homem vive em movimento. O faz em busca de abrigo, de alimento, isto é, em busca de uma melhor condição de vida, na luta pela sua sobrevivência, seja em pequenos grupos ou até grandes populações. Nos dias de hoje caracterizamos este movimento como migração, que se distingue em dois tipos: o movimento de saída, emigração; e o de entrada, imigração. Grosso modo, pensamos o movimento migratório como uma forma de afugentar-se de determinados riscos que acometem nossa vida e nossa segurança, seja por consequência de fenômenos naturais e tragédias, guerras e perseguições, ou simplesmente a questão econômica, isto é, fatores gerais externos ao homem. Então, no geral, ao falar desse movimento, damos muita importância aos motivos que originaram a deslocação e esquecemos o que vem depois dele, como se os problemas dos indivíduos que se mudam acabassem com a instalação em uma nova localidade. No entanto, o locomover-se pode ser apenas uma etapa inicial do processo total de migração, posto que o migrante enfrentará novos desafios dali em diante. O ser imigrante e o choque de culturas: duas faces do sujeito A respeito dos problemas enfrentados pela pessoa que decidiu buscar melhores condições de vida em um novo lugar, alguns pesquisadores como Sayad (2010), se preocuparam com a totalidade do ser que se locomove, o migrante além do processo de migração, um ser que carrega consigo uma história, uma cultura, uma individualidade. Ademais, o que acontece com este indivíduo depois do processo de mudança espacial (entrando num país como imigrante) em conflito, principalmente, com o que ele deixou para trás (sua condição de emigrante no país de origem). A migração, ao contrário do que a lógica nos induz pensar, pode trazer mais perdas do que ganhos para o sujeito. Em sua obra La doble ausencia (2011), Sayad nos mostra uma outra forma de encararmos o migrante, isto é, o desa

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